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	<title> Fracci&#243;n Trotskista Cuarta Internacional </title>
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		<title>Bloco de Esquerda de Portugal votou cr&#233;ditos de guerra contra os trabalhadores gregos</title>
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		<dc:creator>Luis Siebel</dc:creator>


		<dc:subject>Europa</dc:subject>
		<dc:subject>Movimiento Obrero</dc:subject>
		<dc:subject>Pol&#233;mica</dc:subject>
		<dc:subject>Crisis capitalista mundial</dc:subject>
		<dc:subject>Portugal</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;O Parlamento portugu&#234;s votou recentemente um plano de &#8220;resgate&#8221; da Uni&#227;o Europ&#233;ia para a Gr&#233;cia, que exige uma s&#233;rie de ataques contra os trabalhadores. Nesta semana o governo grego anunciou a privatiza&#231;&#227;o de diversas empresas estatais para cumprir as imposi&#231;&#245;es imperialistas. O plano contou com a vota&#231;&#227;o de 16 deputados do Bloco de Esquerda (BE), uma coaliz&#227;o ampla de distintas organiza&#231;&#245;es de esquerda.&lt;/p&gt;

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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O Parlamento portugu&#234;s votou recentemente um plano de &#8220;resgate&#8221; da Uni&#227;o Europ&#233;ia para a Gr&#233;cia, que exige uma s&#233;rie de ataques contra os trabalhadores. Nesta semana o governo grego anunciou a privatiza&#231;&#227;o de diversas empresas estatais para cumprir as imposi&#231;&#245;es imperialistas. A aprova&#231;&#227;o do plano foi votada pelo Partido Socialista &#8211; partido do governo &#8211; e o Partido Verde. N&#227;o surpreende, j&#225; que os socialistas europeus, quando nos governos, se converteram em social-liberais a servi&#231;o da classe dominante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contudo, o plano contou com a vota&#231;&#227;o de 16 deputados do Bloco de Esquerda (BE), uma coaliz&#227;o ampla de distintas organiza&#231;&#245;es de esquerda. O BE tem um peso de dire&#231;&#227;o muito grande dos mandelistas, tend&#234;ncia de origem trotskista; Francisco Lou&#231;&#227;, um dos parlamentares, &#233; uma das principais figuras do bloco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os partidos anticapitalistas, ou as coaliz&#245;es, demonstram que o caminho destas tend&#234;ncias trotskistas na Europa &#233; regressiva ao reformismo e a concilia&#231;&#227;o de classes. A vota&#231;&#227;o do plano expressa uma vez mais a sua natureza reformista. Particularmente os mandelistas s&#227;o grandes incentivadores desses projetos, como o PSOL no Brasil - que votou leis anti-oper&#225;rias com o Super-Simples e recebe recursos de burgueses&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ap&#243;s a crise de organiza&#231;&#245;es como o Respect na Inglaterra, ou o Rifondazione (&#8230;)&#034; id=&#034;nh1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O BE justificou o seu voto afirmando que &#8220;nas atuais circunst&#226;ncias seria impor a bancarrota &#227; Gr&#233;cia&#8221;, (deputada Cecilia Hon&#243;rio). Isto os coloca ao lado da pol&#237;tica dos imperialistas da UE e demonstra firmemente que os partidos ou coaliz&#245;es amplas n&#227;o s&#227;o uma alternativa para combater os ataques capitalistas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A organiza&#231;&#227;o da LIT&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Ruptura-FER&#034; id=&#034;nh2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, que atua em Portugal dentro do BE, expressou que &#8220;Indigna escutar que s&#227;o empr&#233;stimos para &#8216;ajudar a Gr&#233;cia', quando o povo trabalhador grego n&#227;o vai ver um s&#243; euro dessa &#8216;ajuda' mas, pelo contr&#225;rio, apenas san&#231;&#245;es e sofrimentos&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Solidariedade com a classe oper&#225;ria e o povo grego! Declara&#231;&#227;o da LIT, Maio (&#8230;)&#034; id=&#034;nh3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. N&#227;o expressou uma palavra sobre a organiza&#231;&#227;o que faz parte. Tamb&#233;m os deputados do BEVer, por exemplo, artigo do deputado Jos&#233; Soeiro (BE), Semana Parlamentar, 10/05/2010, &lt;a href=&#034;http://www.esquerda.net/node/11322&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.esquerda.net/node/11322&lt;/a&gt;. ao mesmo tempo em que votaram o &#8220;empr&#233;stimo&#8221;, discorreram sobre os &#8220;problemas&#8221; do plano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na Gr&#233;cia atual est&#225; o laborat&#243;rio para toda a Europa e &#233; dever das organiza&#231;&#245;es prolet&#225;rias levar &#227; frente a luta de classes. Nenhuma omiss&#227;o &#233; poss&#237;vel nesse cen&#225;rio.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ap&#243;s a crise de organiza&#231;&#245;es como o Respect na Inglaterra, ou o Rifondazione Comunista na It&#225;lia e o pr&#243;prio PSOL recentemente, o BE era apresentado como um sucesso por ter conseguido eleger uma bancada importante de deputados.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Ruptura-FER&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Solidariedade com a classe oper&#225;ria e o povo grego! Declara&#231;&#227;o da LIT, Maio de 2010.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>
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		<title>A promessa da revolu&#231;&#227;o</title>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Luis Siebel</dc:creator>


		<dc:subject>Europa</dc:subject>
		<dc:subject>Historia</dc:subject>

		<description>
&lt;p&gt;As comemora&#231;&#245;es dos 40 anos do maio de 68 na Fran&#231;a n&#227;o deixam d&#250;vidas quanto aos importantes s&#237;mbolos que se constitu&#237;ram nas universidades, f&#225;bricas, barricadas de rua que surgiram desse processo de luta de classes e em todo o mundo. Buscaremos aqui contribuir com um sentido particular: entender como uma poderosa promessa de revolu&#231;&#227;o conseguiu ser transformada pelos grandes meios e parte consider&#225;vel da esquerda numa &#034;cr&#237;tica cultural&#034; que colocou na &#034;pauta&#034; o ano de 68 e, no limite, um (&#8230;)&lt;/p&gt;


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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;As comemora&#231;&#245;es dos 40 anos do maio de 68 na Fran&#231;a n&#227;o deixam d&#250;vidas quanto aos importantes s&#237;mbolos que se constitu&#237;ram nas universidades, f&#225;bricas, barricadas de rua que surgiram desse processo de luta de classes e em todo o mundo. Buscaremos aqui contribuir com um sentido particular: entender como uma poderosa promessa de revolu&#231;&#227;o conseguiu ser transformada pelos grandes meios e parte consider&#225;vel da esquerda numa &#034;cr&#237;tica cultural&#034; que colocou na &#034;pauta&#034; o ano de 68 e, no limite, um movimento progressivo para o pr&#243;prio capitalismo.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se hoje ressurge o movimento estudantil em nosso pa&#237;s, temos a certeza de que a linguagem do ano 68 servir&#225; de grande exemplo. Temos, no entanto, que procurar nos lugares certos. Os intelectuais &#034;progressistas&#034; que ainda n&#227;o se colocaram ao lado de Sarkozy em sua cruzada contra 68, o avaliam como um movimento cultural que democratizou a sociedade francesa, levado por estudantes contestadores, que ao modo de Dani le Rouge&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Daniel Cohn-Bendit, lideran&#231;a estudantil de grande express&#227;o, parte do (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;, hoje est&#227;o acomodados nos parlamentos e institui&#231;&#245;es europeus. Pela direita ou pela esquerda, ambos os discursos partem de um denominador comum: expulsam da hist&#243;ria o movimento oper&#225;rio. A express&#227;o dessa vis&#227;o &#034;culturalista&#034;, est&#225; bem clara aqui: &#034;O esp&#237;rito de 68 &#233; uma bebida potente, uma mistura apimentada e desej&#225;vel, um coquetel explosivo composto por diversos ingredientes. Um de seus componentes - e n&#227;o o menor - &#233; o romantismo revolucion&#225;rio, ou seja, um protesto cultural contra os fundamentos da civiliza&#231;&#227;o industrial/capitalista moderna, seu produtivismo e seu consumismo, e uma associa&#231;&#227;o singular &#250;nica e sem g&#234;nero, entre subjetividade, desejo e utopia&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Recentemente, em uma atividade pol&#237;tica do PSTU, o professor Henrique (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-2&#034;&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; [...]&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pelo contr&#225;rio, as manifesta&#231;&#245;es oper&#225;rias e estudantis foram acontecimentos decisivos para a hist&#243;ria francesa e a luta de classe internacional, pois abriram um ciclo de recomposi&#231;&#227;o massivo de ofensiva do trabalho contra o capital: um questionamento dos mecanismos de explora&#231;&#227;o capitalista partindo da &#034;ordem fabril&#034;, um questionamento da sangrenta domina&#231;&#227;o imperialista e um questionamento dos agentes da burguesia no movimento oper&#225;rio que defendiam o reformismo e a concilia&#231;&#227;o de classes, come&#231;ando pelo stalinismo. Demonstraremos, contra esse tipo de concep&#231;&#227;o &#034;inovadora&#034;, que o motor fundamental do maio franc&#234;s n&#227;o se restringiu ao que se passa na cabe&#231;a dos reformadores da ordem social existente, pois foi, acima de tudo, como afirmou Jean-Pierre Duteil, uma mostra de que &#034;a luta de classes n&#227;o era uma estante do departamento de antiguidades, a classe oper&#225;ria n&#227;o fez sua despedida&#034;, ou seja, marca a entrada em cena de um movimento oper&#225;rio extremamente moderno e concentrado, que se colocava como sujeito potencial n&#227;o de uma premissa te&#243;rica, como nos tempos de Marx, mas como um sujeito fundamental na aboli&#231;&#227;o da sociedade de classes; segundo o historiador Perry Anderson, &#034;A revolta de maio de 68 na Fran&#231;a foi um marco hist&#243;rico decisivo. Foi a primeira vez em cerca de cinq&#252;enta anos que um levante revolucion&#225;rio de massas teve como palco um pa&#237;s capitalista avan&#231;ado - em um per&#237;odo de paz, num contexto de prosperidade imperialista e democracia burguesa&#034;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;P. Anderson Considera&#231;&#245;es sobre o marxismo ocidental. Brasiliense, 1989, p.135.&#034; id=&#034;nh2-3&#034;&gt;3&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O lugar de 68 na hist&#243;ria&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como um acontecimento dilatado no tempo, 68 se expande no mundo, colocando assim em posi&#231;&#227;o defensiva a &#034;ordem imperialista&#034; do p&#243;s-guerras, estabelecida simbolicamente pouco mais de 20 anos antes por Churchill, Roosevelt e St&#225;lin. Os acontecimentos da luta de liberta&#231;&#227;o da Arg&#233;lia, a guerra do Vietn&#227; e a ofensiva militar contra o imperialismo nesse ano, os profundos processos da luta de classes na Am&#233;rica Latina que se gestavam e as experi&#234;ncias dos processos revolucion&#225;rios do p&#243;s-guerra, ainda que de forma distorcida pelos &#034;teoremas de Yalta&#034; e obscurecido o debate estrat&#233;gico por um marxismo revolucion&#225;rio genu&#237;no, tornou poss&#237;vel uma &#034;press&#227;o cultural&#034; muito distintas das &#034;revolu&#231;&#245;es dos costumes&#034; de hoje. A capacidade expansiva da luta do maio franc&#234;s prenunciou: Ce n'est qu'un d&#233;but, continuons le combat!, e pouco depois os oper&#225;rios de Turim colocaram a sua maneira que a Lotta continua!&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Este &#233; s&#243; o in&#237;cio, continuemos o combate! / A luta continua! Em recente (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-4&#034;&gt;4&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na Fran&#231;a, ainda que por distintas raz&#245;es n&#227;o estivesse naquele momento em jogo a &#034;revolu&#231;&#227;o imediata&#034;, o que D. Bensa&#239;d chamou de ensaio geral revolucion&#225;rio seguindo a &#034;velha&#034; terminologia de L&#234;nin em 1905, estava colocada claramente a possibilidade de colocar abaixo, partindo das f&#225;bricas e das ruas, o regime gaullista. 68 &#233;, sobretudo, um novo marco, ap&#243;s anos de crescimento capitalista &#034;pac&#237;fico&#034;, pois colocou novamente em cena uma luta de classes, de formas mais contempor&#226;neas a n&#243;s do que aos communards de 1971, mas n&#227;o menos &#034;enf&#225;tica&#034; no que diz respeito &#225;s contradi&#231;&#245;es fundamentais da sociedade capitalista; esse ciclo de insubordina&#231;&#227;o pol&#237;tica contra o regime burgu&#234;s colocou em xeque o papel das velhas dire&#231;&#245;es do proletariado, o stalinismo e a social-democracia e tamb&#233;m a CGT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Parecia que nos anos 1960 a classe oper&#225;ria estava adormecida de forma duradoura sob o bonapartismo de De Gaulle e na Europa. Mas, desde o ponto de vista quantitativo o ano de 68 da Fran&#231;a representou o movimento de greves mais imponente na hist&#243;ria do movimento oper&#225;rio ocidental, superior ao ano 1969 na It&#225;lia (o &#034;outono quente&#034;) e tamb&#233;m do importante movimento do ano 1926 na Inglaterra&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;A Fran&#231;a contabilizou em torno de 150 milh&#245;es de dias de greve como m&#237;nimo, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-5&#034;&gt;5&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;. Ou seja, sem restabelecer a centralidade do protagonismo oper&#225;rio &#233; imposs&#237;vel entender o alcance profundo do maio franc&#234;s e de suas repercuss&#245;es para a luta de classes. &#201; imposs&#237;vel entender ao mesmo tempo quatro d&#233;cadas dedicadas &#034;intelectualmente&#034; para liquidar o proletariado como ator do &#034;ensaio geral&#034;.&lt;br class='autobr' /&gt;
&#034;O verdadeiro perigo come&#231;ou quando os oper&#225;rios entraram em cena. Primeiramente, no dia 13 de maio, uma grande manifesta&#231;&#227;o de solidariedade depois da noite das barricadas e depois, nos dias seguintes, quando os oper&#225;rios mais jovens, sem consultar os seus sindicatos, decidiram seguir os estudantes. Em 16 e 17 de maio, quando as grandes for&#231;as da CGT e CFDT [federa&#231;&#227;o de sindicatos], entendendo que sua credibilidade estava muito abalada, chamam a generaliza&#231;&#227;o da greve. Foi nesse momento que apareceu claramente a fragilidade do Estado. A pol&#237;cia podia dispersar atos, destruir dez ou vinte barricadas, mas n&#227;o podia controlar cem ou quinhentas f&#225;bricas, oficinas, lojas, bancos e esta&#231;&#245;es de trem. Muito menos poderia traz&#234;-los de volta ao trabalho.&#034;[Maurice Grimaud, ex-chefe de pol&#237;cia de Paris, entrevista de 1988.]&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Movimento oper&#225;rio e luta de classes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se os estudantes impuseram (contra) as organiza&#231;&#245;es sindicais uma frente-&#250;nica, as massivas jornadas de 13 de maio e a orienta&#231;&#227;o das f&#225;bricas nos setores mais avan&#231;ados da classe colocar&#227;o a essas mesmas dire&#231;&#245;es sindicais um enorme processo de greve geral eminentemente pol&#237;tica que sacudir&#225; no ar o regime gaullista. Esse processo foi combatido de todas as maneiras pelo PCF e a CGT, buscando isolar o proletariado da vanguarda estudantil, tal como afirma um calunioso artigo do L'Humanit&#233;, jornal do PCF, na voz de seu chefe Georges Marchais: &#034;Como sempre, quando avan&#231;a a uni&#227;o das for&#231;as oper&#225;rias e democr&#225;ticas, os grupelhos 'gauchistes' ['esquerdistas'] se agitam. Se encontram particularmente ativos entre os estudantes. (...) &#201; preciso desmascarar esses falsos revolucion&#225;rios que objetivamente servem aos interesses do poder gaullista e dos grandes monop&#243;lios capitalistas&#034;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;G. Marchais, &#034;De faux r&#233;volutionnaires &#227; d&#233;masquer&#034;, L'Humanit&#233;, Paris, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-6&#034;&gt;6&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas f&#225;bricas, os jovens trabalhadores eram a vanguarda indiscut&#237;vel da insubordina&#231;&#227;o ao capitalismo e as dire&#231;&#245;es oficiais. A gr&#232;ve sauvage (greve selvagem) se expande e cria lutas exemplares como na Sud Aviation em Nantes e na Renault-Cl&#233;on. O fato de que a burocracia sindical tenha controlado o desenvolvimento do movimento de greves e tenha literalmente prendido os trabalhadores em suas f&#225;bricas ocupadas, para evitar que se coordenassem entre si ou mesmo com os estudantes e tomassem assim o controle, n&#227;o significa que conseguiram acabar com a determina&#231;&#227;o do proletariado convencido da possibilidade e da necessidade de arrancar como m&#237;nimo concess&#245;es significativas: &#034;Pela sua determina&#231;&#227;o [os estudantes] balan&#231;aram a opini&#227;o p&#250;blica a seu favor e for&#231;aram os sindicatos a organizar atos de massa e a greve geral que at&#233; ent&#227;o evitavam. A apatia das for&#231;as sociais, mantida pela estrat&#233;gia reformistas destas organiza&#231;&#245;es &#233; sem sombra de d&#250;vidas uma das maiores garantias do regime hoje&#034;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;&#034;A luta continua&#034;, Juventude Comunista Revolucion&#225;ria, (organiza&#231;&#227;o que se (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-7&#034;&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Confiantes na sua capacidade de controle do processo, as confedera&#231;&#245;es sindicais e a CGT abrem as negocia&#231;&#245;es da rue de Grenelle (Minist&#233;rio do Trabalho) em 25 de maio. Ap&#243;s 24 horas de negocia&#231;&#245;es conseguem concess&#245;es m&#237;nimas da patronal e pensam que poderiam terminar com a greve: &#034;Os patr&#245;es e o Estado est&#227;o em uma encruzilhada. A burguesia, confusa, chama os 'representantes das organiza&#231;&#245;es dos trabalhadores' para retomar o controle. Sabem que em um per&#237;odo de profunda crise social as dire&#231;&#245;es reformistas constituem a melhor e a &#250;ltima alternativa do regime capitalista: enlameadas no parlamentarismo, escrupulosamente respeitosas com a legalidade burguesa, essas dire&#231;&#245;es sabem como canalizar a combatividade das massas e tentar&#227;o faz&#234;-lo com objetivos compat&#237;veis com a sobreviv&#234;ncia do sistema&#034;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;&#034;Trabalhadores, estudantes!&#034;, JCR, 21/05/68.&#034; id=&#034;nh2-8&#034;&gt;8&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De Gaulle e os stalinistas, e estes &#250;ltimos mais uma vez rememorando a sua trai&#231;&#227;o hist&#243;rica, como nos processos revolucion&#225;rios de 1935-1937, conseguem salvar a classe dominante do espectro revolucion&#225;rio. Dividem-se as tarefas: o stalinismo se encarregou de atomizar o movimento oper&#225;rio e De Gaulle acorda com as distintas fra&#231;&#245;es burguesas um bloco social reacion&#225;rio. Em um comunicado de r&#225;dio no dia 30 de maio, a poucas horas de voltar da Alemanha, De Gaulle tenta dar uma sa&#237;da formalmente constitucional e &#034;democr&#225;tica&#034; para terminar com o movimento que o amea&#231;ou durante duas longas semanas!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos dias seguintes se precipitaram as negocia&#231;&#245;es por ramo de produ&#231;&#227;o entre a patronal e a burocracia, que obt&#233;m aumentos salariais e maiores direitos sindicais nas empresas. Ap&#243;s duas semanas de greve a burocracia consegue que muitos voltem ao trabalho e no in&#237;cio de junho cessam as movimenta&#231;&#245;es na EDF-GDF (setor energ&#233;tico), no metr&#244; de Paris e nos correios as assembl&#233;ias votam o retorno ao trabalho e tamb&#233;m em outros setores importantes como os mineiros, ferrovi&#225;rios e oper&#225;rios da constru&#231;&#227;o civil. Apesar de tudo, os grevistas n&#227;o retomaram o trabalho facilmente, j&#225; que em muitos locais e f&#225;bricas se converteram em pontos de resist&#234;ncia grevista frente &#227; press&#227;o das dire&#231;&#245;es; por&#233;m, frente &#227; aus&#234;ncia de perspectivas, inclusive esses pontos de resist&#234;ncia terminaram votando um amargo fim de greve.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A impressionante vit&#243;ria da burguesia em elei&#231;&#245;es celebradas ap&#243;s poucas semanas de um dos maiores processos pol&#237;ticos que atravessou o pa&#237;s no s&#233;culo XX n&#227;o apaga as marcas profundas que deixaram as greves oper&#225;rias. Ainda que estivesse respaldada pela eficiente mec&#226;nica constitucional gaullista da V Rep&#250;blica, que permitiu a burguesia enfrentar a irrup&#231;&#227;o oper&#225;ria p&#243;s-68, tardar&#227;o anos para resolver a crise aberta durante aquelas semanas de greves generalizadas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em dez de maio, um conhecido comentador de futebol foi enviado para o Bairro Latino para cobrir os eventos da noite e reportou: 'Agora a CRS&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-9&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Tropa de pol&#237;cia francesa que destacada para reprimir os conflitos de rua.&#034; id=&#034;nh2-9&#034;&gt;9&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; est&#225; atirando, est&#227;o destruindo a barricada - meu Deus! Uma batalha acontece. Os estudantes est&#227;o contra-atacando, podem-se escutar os barulhos - a CRS recua. Agora est&#227;o se reagrupando e preparam para atacar novamente. Os moradores jogam coisas de suas janelas contra a CRS - oh! A pol&#237;cia retalia, atirando granadas nas janelas dos apartamentos...' O produtor do programa interrompe: 'Isso n&#227;o pode ser verdade, a CRS n&#227;o faz coisas como essa!'; &#034;Eu estou dizendo o que vejo...&#034;. Sua voz desaparece. O programa o cortou.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-10&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Relato de Jean-Jacques Lebel para Tariq Ali, Maio de 68, Para onde foi toda (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-10&#034;&gt;10&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O movimento estudantil e a luta de classes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;J&#225; desenvolvemos em artigos anteriores aspectos do que se tornou a &#034;universidade de massas&#034; no p&#243;s-guerra e nos cabe aqui observar as quest&#245;es pol&#237;ticas&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-11&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;A luta de classes no ano 68 e o movimento estudantil, Palavra Oper&#225;ria n&#176;31. (&#8230;)&#034; id=&#034;nh2-11&#034;&gt;11&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt; mais importantes que fizeram com que o m.e. fosse parte fundamental dos processos de maio, tanto como &#034;detonadores&#034; diretos quanto como parte da vanguarda pol&#237;tica. Por exemplo, a universidade Sorbonne era uma das formas mais desenvolvidas de &#034;duplo poder&#034;; ainda que os trabalhadores fossem a &#034;for&#231;a vital&#034; de 68, n&#227;o se pode desconsiderar que a pol&#237;tica das dire&#231;&#245;es oficiais conseguiram que n&#227;o se desenvolvessem formas de combate nas f&#225;bricas tais como colocaram em pr&#225;tica os estudantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As leis da burguesia perderam sua vig&#234;ncia nos limites da universidade, ao contr&#225;rio do processo nas f&#225;bricas no qual se generalizaram as ocupa&#231;&#245;es sem que tivessem, no entanto, um norte pol&#237;tico ofensivo: a pol&#237;cia n&#227;o entrava na universidade, Cohn-Bendit, que mais tarde foi banido da Fran&#231;a como um &#034;judeu-alem&#227;o&#034; subversivo, vivia ali &#034;tranquilamente&#034;; era o auto-governo da Sorbonne, que n&#227;o prestava a m&#237;nima aten&#231;&#227;o &#225;s decis&#245;es governamentais sobre a educa&#231;&#227;o. Exemplos como esse, que tiveram o seu pr&#243;logo no movimento 22 de mar&#231;o, na universidade de Nanterre, se generalizaram e muitos de seus aspectos &#034;culturais&#034; estavam diretamente ligados a perspectiva de uma luta pela completa transforma&#231;&#227;o da sociedade de classes. A universidade devia ser transformada de uma f&#225;brica que produz rob&#244;s em um centro de organiza&#231;&#227;o da atividade anti-capitalista, um basti&#227;o da educa&#231;&#227;o revolucion&#225;ria; mas tamb&#233;m sabiam os estudantes, que &#034;poderiam conquistar algumas concess&#245;es nos limites da universidade, mas sem o tremendo levante da classe oper&#225;ria, fariam muito pouco. N&#227;o havia d&#250;vidas que o centro da luta passaria dos estudantes para os trabalhadores. E naquele momento, se tornou em primeiro lugar de como os estudantes se ligariam com essa luta, como expressariam sua solidariedade com os trabalhadores, como encorajar a sua luta e fazer qualquer coisa poss&#237;vel para influenciar o movimento para um curso revolucion&#225;rio&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-12&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Mary-Alice Waters The french student revolt. International Socialist Review&#034; id=&#034;nh2-12&#034;&gt;12&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#034;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#034;&lt;i&gt;A Assembl&#233;ia Geral de 13 de maio decidiu que a Universidade de Paris se declara uma universidade aut&#244;noma e popular e estar&#225; permanentemente aberta, dia e noite, para todos os trabalhadores.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Universidade de Paris ser&#225; administrada pelos Comit&#234;s de Ocupa&#231;&#227;o e Administra&#231;&#227;o constitu&#237;do por trabalhadores, estudantes e professores.&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como afirmou em 19 de maio o comit&#234; de ocupa&#231;&#227;o da Sorbonne, &#034;A ocupa&#231;&#227;o que come&#231;ou em 13 de maio abriu um novo per&#237;odo na crise da sociedade moderna. Os acontecimentos que hoje tomam a Fran&#231;a antecipam o returno do movimento revolucion&#225;rio do proletariado em todos os pa&#237;ses. O movimento que j&#225; avan&#231;ou da teoria para a luta nas ruas hoje avan&#231;ou para a luta pelo controle dos meios de produ&#231;&#227;o. O capitalismo moderno pensou que tinha terminado com a luta de classes - mas come&#231;ou novamente! O proletariado supostamente n&#227;o existia mais - e aqui est&#225; de novo!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Entregando a Sorbonne, o governo esperava pacificar a revolta estudantil, que j&#225; havia conquistado regi&#245;es de Paris nas barricadas em uma noite inteira ap&#243;s serem derrotados com grande dificuldade pela pol&#237;cia. A Sorbonne foi dada aos estudantes na esperan&#231;a de que pacificamente iriam discutir os problemas universit&#225;rios. Mas os ocupantes imediatamente decidiram abri-la ao p&#250;blico para discutir os problemas gerais da sociedade. Era assim o pren&#250;ncio de um conselho, um conselho no qual at&#233; os estudantes quebravam a sua miser&#225;vel condi&#231;&#227;o de &#8216;estudantes'.&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb2-13&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Informe sobre a ocupa&#231;&#227;o, Paris, 19/05/68&#034; id=&#034;nh2-13&#034;&gt;13&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;&#034;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conclu&#237;mos n&#227;o somente deixando expl&#237;citas as imponentes formas que a luta de classes assumiu de 68, pois abrimos novamente as p&#225;ginas de nosso jornal para a recupera&#231;&#227;o dos exemplos de luta, debates estrat&#233;gicos e fragmentos de subvers&#227;o da pol&#237;tica; tamb&#233;m queremos evidenciar um processo &#034;subterr&#226;neo&#034; anterior ao maio, que nos diz muito da maneira com a qual se pode reconstruir as nossas ferramentas de luta atuais. N&#227;o nos convencemos facilmente, como os &#034;culturalistas&#034; de hoje de que 68 foi uma &#034;explos&#227;o juvenil&#034; solta no espa&#231;o. Durante todos os anos 1960, por exemplo, a juventude do PCF foi golpeada por uma vanguarda que sa&#237;da de suas pr&#243;prias fileiras e prestava solidariedade ativa e antiimperialista a luta de independ&#234;ncia da Arg&#233;lia. Durante anos a fio a juventude viu as guerras civis levadas pela burocracia stalinista na URSS e nos pa&#237;ses do Leste contra os trabalhadores, seja em 1956, seja na &#034;Primavera de Praga&#034; no mesmo ano. Outros exemplos n&#227;o faltar&#227;o para demonstrar os &#034;momentos preparat&#243;rios&#034; de 68 estiveram plenos n&#227;o somente do sentido de resist&#234;ncia, mas da necessidade do porvir.&lt;/p&gt;
&lt;h2 class=&#034;spip&#034;&gt;Communiqu&#233;&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Camaradas,&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Considerando que a f&#225;brica Sud-Aviation em Nantes foi ocupada h&#225; dois dias pelos oper&#225;rios e os estudantes desse cidade, e que hoje o movimento se espalha por v&#225;rias f&#225;bricas (Nouvelles Messageries de la Presse Parisienne em Paris, Renault em Cl&#233;on etc.), O COMIT&#202; DE OCUPA&#199;&#195;O DA SORBONNE chama pela imediata ocupa&#231;&#227;o de todas as f&#225;bricas na Fran&#231;a e pela forma&#231;&#227;o de Conselhos Oper&#225;rios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Camaradas, espalhem e reproduzam esse chamado o mais r&#225;pido poss&#237;vel&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sorbonne, 16/05/68, 3:30 pm&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb2-1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Daniel Cohn-Bendit, lideran&#231;a estudantil de grande express&#227;o, parte do movimento 22 de mar&#231;o e hoje parlamentar.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-2&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-2&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-2&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;2&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Recentemente, em uma atividade pol&#237;tica do PSTU, o professor Henrique Carneiro, intelectual ligado ao partido, afimou teses com o mesmo conte&#250;do; M. l&#246;wy O romantismo revolucion&#225;rio do Maio de 68. Publicado em Thesis Eleven, no. 68, fev/02.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-3&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-3&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-3&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;3&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;P. Anderson Considera&#231;&#245;es sobre o marxismo ocidental. Brasiliense, 1989, p.135.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-4&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-4&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-4&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;4&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Este &#233; s&#243; o in&#237;cio, continuemos o combate! / A luta continua! Em recente entrevista, o intelectual Chico de Oliveira afirmou: &#034;De qualquer modo, a interpreta&#231;&#227;o mais aceita &#233; que 68 abriu as portas de uma esp&#233;cie de revolu&#231;&#227;o cultural no Ocidente, na qual se inscreveriam temas como o da sexualidade. Entretanto, dizem Ranci&#232;re e Zizek que todo mundo esquece que 68 foi uma revolta pol&#237;tica. Que ela tenha tido efeitos vagamente culturais nem precisa ser dito, pois toda revolu&#231;&#227;o pol&#237;tica tem efeitos culturais. Na Fran&#231;a, essa foi marcadamente uma revolta anticapitalista. Os atores centrais n&#227;o foram os estudantes, mas os oper&#225;rios&#034;. Caderno 2, Estado de SP, 11/05/08.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-5&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-5&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-5&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;5&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;A Fran&#231;a contabilizou em torno de 150 milh&#245;es de dias de greve como m&#237;nimo, enquanto na It&#225;lia 37 mi.e 14 mi. na Inglaterra.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-6&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-6&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-6&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;6&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;G. Marchais, &#034;De faux r&#233;volutionnaires &#227; d&#233;masquer&#034;, L'Humanit&#233;, Paris, 03/05/68.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-7&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-7&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-7&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;7&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&#034;A luta continua&#034;, Juventude Comunista Revolucion&#225;ria, (organiza&#231;&#227;o que se formou como fra&#231;&#227;o de esquerda da juventude do PCF em 1965 e depois fundou a LCR), maio/68.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-8&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-8&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-8&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;8&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;&#034;Trabalhadores, estudantes!&#034;, JCR, 21/05/68.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-9&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-9&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-9&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;9&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Tropa de pol&#237;cia francesa que destacada para reprimir os conflitos de rua.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-10&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-10&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-10&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;10&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Relato de Jean-Jacques Lebel para Tariq Ali, Maio de 68, Para onde foi toda a raiva?, The Guardian, 22/03/08.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-11&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-11&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-11&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;11&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;A luta de classes no ano 68 e o movimento estudantil, Palavra Oper&#225;ria n&#176;31. Nos dois &#250;ltimos artigos desenvolvemos aspectos da resist&#234;ncia estudantil contra a ditadura militar, dando alguma aten&#231;&#227;o ao debate estrat&#233;gico que surgia na vanguarda e no m.e., processo este que ocorreu de forma muito similar na Fran&#231;a.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-12&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-12&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-12&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;12&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Mary-Alice Waters The french student revolt. International Socialist Review&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div id=&#034;nb2-13&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh2-13&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 2-13&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;13&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Informe sobre a ocupa&#231;&#227;o, Paris, 19/05/68&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>PSOL: um experimento p&#243;s-marxista</title>
		<link>https://www.estrategiainternacional.org/PSOL-um-experimento-pos-marxista</link>
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		<dc:date>2004-09-01T00:00:00Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Luis Siebel</dc:creator>


		<dc:subject>Am&#233;rica Latina</dc:subject>
		<dc:subject>Brasil</dc:subject>

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&lt;p&gt;A chegada de Lula e do PT ao governo federal abre oportunidades in&#233;ditas de enfrentamento de setores do movimento de massas com suas principais dire&#231;&#245;es pol&#237;ticas nas &#250;ltimas duas d&#233;cadas. A pol&#237;tica direitista do governo petista, que des-carrega ataques brutais contra a classe trabalhadora, j&#225; tem colocado em movimento um processo de descontentamento que atinge setores da classe trabalhadora e das classes m&#233;dias, como demonstram as derrotas do PT em alguns dos principais centros urbanos do (&#8230;)&lt;/p&gt;


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&lt;a href="https://www.estrategiainternacional.org/Revista-Estrategia-Internacional-1" rel="directory"&gt;Revista Estrat&#233;gia Internacional 1&lt;/a&gt;

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&lt;a href="https://www.estrategiainternacional.org/Brasil-101" rel="tag"&gt;Brasil&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;A chegada de Lula e do PT ao governo federal abre oportunidades in&#233;ditas de enfrentamento de setores do movimento de massas com suas principais dire&#231;&#245;es pol&#237;ticas nas &#250;ltimas duas d&#233;cadas. A pol&#237;tica direitista do governo petista, que des-carrega ataques brutais contra a classe trabalhadora, j&#225; tem colocado em movimento um processo de descontentamento que atinge setores da classe trabalhadora e das classes m&#233;dias, como demonstram as derrotas do PT em alguns dos principais centros urbanos do pa&#237;s nas rec&#233;m conclu&#237;das elei&#231;&#245;es municipais, e tem dado origem a processos de ruptura aberta em setores de vanguarda, assim como demonstram as principais lutas que t&#234;m se desenvolvido no pa&#237;s, em especial a greve nacional dos banc&#225;rios e as mobiliza&#231;&#245;es do funcionalismo p&#250;blico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; por se negar a empreender o giro neoliberal do PT e com isso perder suas bases sociais, que setores da chamada &#8220;esquerda&#8221; deste partido romperam com o mesmo para impulsionar o projeto do PSOL. Um passo &#227; frente &#250;nica e exclusivamente porque colocam em pauta a necessidade de constru&#231;&#227;o de um novo partido pol&#237;tico no pa&#237;s, baseado na experi&#234;ncia das massas com o PT, que apresente uma alternativa de dire&#231;&#227;o pol&#237;tica oper&#225;ria e independente para o movimento de massas. V&#225;rios passos atr&#225;s porque apesar de se recusarem a converter-se ao neoliberalismo petista, os setores que hoje impulsionam o PSOL n&#227;o realizam o mais m&#237;nimo balan&#231;o do que significou a experi&#234;ncia com o PT, reivindicando um suposto &#8220;PT combativo das origens&#8221; e suas &#8220;bandeiras hist&#243;ricas&#8221;:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dentro do partido, temos setores que se declaram revolucion&#225;rios e outros que se declaram reformistas. Creio que a dicotomia colocada para a esquerda, no momento, n&#227;o &#233; essa (...) devemos construir uma trincheira de resist&#234;ncia no campo partid&#225;rio e no campo sindical, aglutinando a esquerda socialista que n&#227;o se rendeu, sejam reformistas ou revolucion&#225;rios.1&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa &#233; a estranha maneira que se prop&#245;em os dirigentes do PSOL para defender os interesses hist&#243;ricos da classe oper&#225;ria: trata-se de um partido com os reformistas, considerados pela tradi&#231;&#227;o revolucion&#225;ria como agentes pol&#237;ticos do capital, quer dizer, inimigos declarados da revolu&#231;&#227;o social.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse artigo procuramos desmascarar o reformismo do PSOL, analisando seu programa, sua estrat&#233;gia e sua pr&#225;tica pol&#237;tica. N&#243;s que lutamos por um partido revolucion&#225;rio, defendemos hoje, como t&#225;tica para impulsionar o processo de en-frentamento de amplos setores da classe trabalhadora com a dire&#231;&#227;o do PT, a constru&#231;&#227;o de um Partido Oper&#225;rio Independente, controlado pelos sindicatos, que possa se constituir como um passo efetivo na luta pela independ&#234;ncia pol&#237;tica dos trabalhadores, e de prepara&#231;&#227;o para dar uma resposta &#227; crise que atravessa o pa&#237;s, que tende a adquirir propor&#231;&#245;es superiores no pr&#243;ximo per&#237;odo hist&#243;rico. A classe oper&#225;ria brasileira necessita de um programa claro de independ&#234;ncia, e sua constru&#231;&#227;o deve dar-se nos marcos da fus&#227;o dos elementos mais avan&#231;ados da vanguarda ope-r&#225;ria do pa&#237;s. Diante das tarefas preparat&#243;rias colocadas para a esquerda revolucion&#225;ria no Brasil acreditamos ser necess&#225;ria a dura cr&#237;tica &#225;s rupturas com o marxismo, e &#225;s opera&#231;&#245;es ideol&#243;gicas que suprimem o car&#225;ter revolucion&#225;rio do proletariado, bem como a recupera&#231;&#227;o de suas aquisi&#231;&#245;es hist&#243;ricas colocadas pela estrat&#233;gia sovi&#233;tica e pela ditadura do proletariado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um experimento p&#243;s-marxista&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O PSOL &#233; um partido constitu&#237;do ao redor da figura de Helo&#237;sa Helena, sua presidente, senadora pelo PT, que foi expulsa deste partido em 2003 por opor-se &#227; reforma da previd&#234;ncia do governo Lula. Tanto &#233; assim que, no Encontro de funda&#231;&#227;o do partido, j&#225; havia camisetas (antes mesmo que se constitu&#237;sse a organiza&#231;&#227;o!) com o lema &#8220;Uma esperan&#231;a outra vez, Helo&#237;sa 2006&#8221;, postulando-a como candidata &#225;s long&#237;nquas elei&#231;&#245;es presidenciais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Helo&#237;sa Helena pertencia &#227; corrente interna do PT chamada Democracia Socialista (DS), que &#233; parte do Secretariado Unificado (SU) em n&#237;vel internacional, corrente conhecida como &#8220;mandelista&#8221; em refer&#234;ncia a seu principal dirigente, j&#225; falecido, Ernest Mandel. Sua principal se&#231;&#227;o nacional &#233; a LCR francesa. Ao SU e &#227; DS pertence atualmente Miguel Rossetto, Ministro do Desenvolvimento Agr&#225;rio do governo Lula. Militantes dessa organiza&#231;&#227;o integram inclusive o Minist&#233;rio da Fazenda, basti&#227;o da ala direita do governo. Ainda que Helo&#237;sa Helena tenha formado sua pr&#243;pria agrupa&#231;&#227;o fora do PT - chamada &#8220;Liberdade Vermelha&#8221; - segue pertencendo &#227; mes-ma corrente internacional que Rossetto e a DS. O SU p&#245;e um p&#233; em cada canoa: a do &#8220;neoliberal&#8221; Lula, e a do &#8220;antineoliberal&#8221; PSOL. Helo&#237;sa Helena &#233; uma das principais atrizes deste jogo, guardando cuidadoso sil&#234;ncio sobre seu &#8220;companheiro&#8221;, o &#8220;Sr. Ministro Miguel Rossetto&#8221;. Os discursos veementes contra o governo por parte de seus parlamentares, e do conjunto de seus militantes parecem &#8220;esquecer&#8221; ou cons-cientemente &#8220;fecham os olhos&#8221; para o absurdo dessa liga&#231;&#227;o entre Helo&#237;sa Helena e Miguel Rosseto. Ou seja, o projeto de coexist&#234;ncia &#8220;plural&#8221; do PSOL permite at&#233; a exist&#234;ncia de um certo &#8220;pacifismo&#8221; com um ministro &#8220;socialista&#8221;, que aplica os planos do imperialismo contra os trabalhadores e os setores explorados.2&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso n&#227;o &#233; um dado menor: o PSOL como organiza&#231;&#227;o &#233; um experimento &#8220;avan&#231;ado&#8221; dentro da matriz te&#243;rica e pol&#237;tica de adapta&#231;&#227;o democr&#225;tico-liberal, de vi&#233;s social-democrata, do &#8220;marxismo&#8221; dos principais dirigentes do Secretariado Uni-ficado, um experimento que pretende diluir a estrat&#233;gia revolucion&#225;ria dos trabalhadores em prol da &#8220;conviv&#234;ncia pac&#237;fica&#8221; entre reformistas e &#8220;revolucion&#225;rios&#8221;. No Brasil est&#227;o fazendo o que n&#227;o conseguiram fazer ainda na Fran&#231;a, ainda que seu curso liq&#252;idacionista do programa marxista revolucion&#225;rio - que inclui renegar o conceito de ditadura do proletariado - os prepara para postular-se como colaboradores de um eventual governo da &#8220;esquerda plural&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&#8220;Democracia Plural&#8221; versus Democracia Sovi&#233;tica&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 1917, L&#234;nin dizia:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na R&#250;ssia, despeda&#231;ou-se o aparelho do funcionalismo; dele n&#227;o se deixou pedra sobre pedra; expulsaram-se todos os antigos magistrados, dispensou-se o parlamento burgu&#234;s e deu-se aos oper&#225;rios e aos camponeses infini-tamente mais acess&#237;vel, porque seus soviets substitu&#237;ram os funcion&#225;rios, seus soviets dirigem os funcion&#225;rios; seus soviets elegem os ju&#237;zes. Isto &#233; o bastante para que todas as classes oprimidas reconhe&#231;am o poder dos soviets, isto &#233;, a forma sovi&#233;tica de ditadura do proletariado, mil vezes mais democr&#225;tica que a mais democr&#225;tica das rep&#250;blicas burguesas.3&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por ditadura do proletariado entende-se a reorganiza&#231;&#227;o da sociedade dirigida pela classe oper&#225;ria, que traz em si o seu conte&#250;do permanente e de profundas transforma&#231;&#245;es socialistas (inclu&#237;das as demandas democr&#225;ticas). As reivindica&#231;&#245;es democr&#225;ticas n&#227;o est&#227;o separadas por etapas hist&#243;ricas da luta revolucion&#225;ria pelo socialismo, e por isso formam parte de um programa de car&#225;ter transicional, um programa &#8220;que ajude as massas, no processo de luta cotidiana, a fazer uma ponte entre suas reivindica&#231;&#245;es atuais e o processo da revolu&#231;&#227;o&#8221;, um programa que &#8220;inva-riavelmente os leve a uma conclus&#227;o: a tomada do poder pelo proletariado&#8221; (Trotsky, Programa de Transi&#231;&#227;o).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No in&#237;cio do s&#233;culo XXI, a burguesia se encarregou de fomentar nas massas a ilus&#227;o de que n&#227;o existe outro regime pol&#237;tico e social poss&#237;vel que n&#227;o seja a democracia burguesa, que toda revolu&#231;&#227;o socialista conduz ao &#8220;totalitarismo&#8221;. O PSOL, na medida em que renega completamente a ditadura do proletariado, substituindo-a pela &#8220;defesa do socialismo com liberdade e democracia&#8221;, capitula abertamente ao proposital am&#225;l-gama que a propaganda ideol&#243;gica da burguesia faz entre o marxismo e o stalinismo. Enquanto exalta a &#8220;liberdade&#8221;, colocando-a como bandeira central desse partido no mesmo n&#237;vel do socialismo, n&#227;o explicita nenhuma vez em seu extenso programa aprovado no encontro de funda&#231;&#227;o a formula&#231;&#227;o &#8220;revolu&#231;&#227;o socialista&#8221;, nem explica como conquistar um governo dos trabalhadores e do povo. Pequeno problema: aqui estamos frente a uma express&#227;o pol&#237;tica concreta do que vimos observando na LCR francesa:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A influ&#234;ncia das id&#233;ias p&#243;s-marxistas - e tamb&#233;m liberais de esquerda - que substituem as defini&#231;&#245;es de classe pela de cidadania e diluem a perspectiva da revolu&#231;&#227;o pela radicaliza&#231;&#227;o da democracia. Isto se expressa atrav&#233;s da f&#243;rmula recentemente enunciada (...) de que a &#8220;revolu&#231;&#227;o &#233; a luta pela de-mocracia at&#233; o final&#8221; e que o sufr&#225;gio universal e n&#227;o a democracia dos con-selhos oper&#225;rios &#233; o principio organizador da sociedade de transi&#231;&#227;o ao so-cialismo.4&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As demandas &#8220;democr&#225;ticas&#8221;, ou seja, burguesas n&#227;o podem levar a classe tra-balhadora a avan&#231;ar em sua luta pela emancipa&#231;&#227;o, o que n&#227;o exclui o fato de que reivindiquemos de maneira epis&#243;dica contra essa mesma burguesia a defesa de seus pr&#243;prios princ&#237;pios &#8220;democr&#225;ticos&#8221;, na medida em que ela volta e meia tem que aboli-los para manter sua domina&#231;&#227;o. Mas reivindicar o sufr&#225;gio como uma conquista dos trabalhadores n&#227;o seria correto nem se estiv&#233;ssemos no s&#233;culo XIX! O ponto chave da quest&#227;o &#233; que a reorganiza&#231;&#227;o da sociedade deve ser realizada por meio da ditadura revolucion&#225;ria do proletariado5, que oprime a burguesia por meio da mais ampla democracia entre as massas trabalhadoras. Essa &#233; a forma na qual historicamente foi erigida a revolu&#231;&#227;o russa de 1917. Nesse sentido, L&#234;nin, citando Engels, escreveu que &#8220;Enquanto o proletariado ainda necessitar do Estado, ele n&#227;o o faz no interesse da liberdade, por&#233;m a fim de oprimir seus advers&#225;rios e, t&#227;o logo se torne poss&#237;vel falar de liberdade, o Estado enquanto tal deixar&#225; de existir&#8221;.6&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao contr&#225;rio de defenderem a democracia dos conselhos oper&#225;rios, na qual a minoria de capitalistas que vivem da explora&#231;&#227;o do trabalho alheio n&#227;o tem nenhum direito, os principais dirigentes do PSOL reivindicam h&#225; muito tempo a &#8220;participa&#231;&#227;o cidad&#227;&#8221; (Or&#231;amento Participativo, democracia participativa e outras formas de enganar os trabalhadores) como modelo de &#8220;democracia&#8221;, &#227; qual caracterizam como uma esp&#233;cie de &#8220;duplo poder&#8221; institucional7, renegando a distin&#231;&#227;o de classe entre a bur-guesia e o proletariado. &#201; por isso que n&#227;o cessam de reivindicar como exemplo de &#8220;democracia&#8221; a &#8220;vermelha&#8221; cidade de Porto Alegre, h&#225; 16 anos governada pela &#8220;es-querda do PT&#8221;, assim como seus &#8220;F&#243;runs Sociais Mundiais&#8221;. No panfleto distribu&#237;do na campanha por assinaturas para a legaliza&#231;&#227;o do partido8, o PSOL prop&#245;e um regime &#8220;que garanta justi&#231;a e igualdade de condi&#231;&#245;es para todos, com liberdade e a mais ampla democracia, que promova o respeito aos direitos civis, individuais e coletivos&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O descaramento dos defensores da &#8220;participa&#231;&#227;o cidad&#227;&#8221; chega a ponto de Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre, referindo-se a sua democracia participativa e seus &#8220;Conselhos Populares&#8221;, dizer que &#8220;um dos elementos sociais de um novo projeto para a sociedade &#233; a consolida&#231;&#227;o da auto-organiza&#231;&#227;o dos movimentos sociais, com autonomia&#8221;9. Nada muito diferente do PSOL, que em seu projeto de programa defende supostos &#8220;organismos de auto-organiza&#231;&#227;o dos trabalhadores, verdadeiros organismos de contrapoder&#8221;, o que n&#227;o passa de uma frase oca, na medida em que se coloca ao lado de apela&#231;&#245;es que n&#227;o v&#227;o al&#233;m de meras restri&#231;&#245;es ao capital financeiro, como a campanha pelo controle de capitais que levanta jun-tamente com distintos setores da burguesia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas id&#233;ias s&#227;o as bases de um programa cujo objetivo &#233; aperfei&#231;oar a de-mocracia formal, n&#227;o passando de um projeto pol&#237;tico reformista, no qual sem romper os estreitos limites &#8220;institucionais&#8221; dessa mesma democracia formal deve ser alcan-&#231;ado seu &#8220;conte&#250;do social&#8221;. O que &#8220;esquecem&#8221; &#233; que essa &#8220;resposta&#8221; intermedi&#225;ria, para dizer o m&#237;nimo, n&#227;o &#233; nova, j&#225; que a pr&#243;pria origem da social-democracia no in&#237;cio do s&#233;culo XX se pautava em &#8220;chegar gradualmente &#227; democracia pol&#237;tica com conte&#250;do social. Nisto residia a ess&#234;ncia do reformismo&#8221;10. Nas palavras de L&#234;nin, s&#227;o oportunistas, pois &#8220;querem crer em um desenvolvimento progressivo da democracia capitalista para uma democracia cada vez mais ampla&#8221;11. Para lembrar a perspectiva revolucion&#225;ria dos bolcheviques que atestava, pelo contr&#225;rio, que&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#8220;a tarefa do soviet n&#227;o consistia em transformar-se em uma par&#243;dia do par-lamento nem organizar a igual representa&#231;&#227;o dos interesses dos distintos grupos sociais, e sim em dotar de unidade a luta revolucion&#225;ria do pro-letariado.12&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um programa de a&#231;&#227;o reformista&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde os prim&#243;rdios do movimento oper&#225;rio no s&#233;culo XIX, at&#233; a &#8220;sua express&#227;o hist&#243;rica mais elevada no bolchevismo&#8221;13 e na Revolu&#231;&#227;o Russa de 1917, sustentamos que uma sociedade comunista &#233; imposs&#237;vel sem que a classe oper&#225;ria promova a violenta destrui&#231;&#227;o do estado burgu&#234;s, e construa um estado oper&#225;rio de transi&#231;&#227;o, baseado em organismos de autodetermina&#231;&#227;o das massas, que desenvolva a luta do proletariado mundial at&#233; a extin&#231;&#227;o das classes, e at&#233; que se coloque (para lembrar Engels) em um museu de antiguidades todos os aparatos de explora&#231;&#227;o e opress&#227;o capitalistas... Construindo um partido que &#233; a ant&#237;tese de um partido leninista de combate, uma arma da classe oper&#225;ria, e renunciando atrav&#233;s de um imenso palavr&#243;rio, pelo menos no per&#237;odo anterior ao &#8220;momento estrat&#233;gico&#8221; (o da revolu&#231;&#227;o pro-priamente dita), ao m&#233;todo e ao conte&#250;do da revolu&#231;&#227;o prolet&#225;ria, o PSOL aplica o giro pol&#237;tico que discutem os te&#243;ricos mais importantes do SU: em lugar de combater a experi&#234;ncia stalinista recuperando a estrat&#233;gia sovi&#233;tica pela qual lutaram os bol-cheviques, a dos conselhos de oper&#225;rios, camponeses e soldados, com liberdade de partidos em seu interior, passam ao campo da tradi&#231;&#227;o social-democrata.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apresentam o socialismo como um &#8220;horizonte&#8221; (e &#233; sabido que o horizonte nunca se alcan&#231;a), enquanto se prop&#245;em a lutar por &#8220;reformas populares&#8221; e outros de car&#225;ter totalmente burgu&#234;s, como &#8220;centralizar o c&#226;mbio e controlar a sa&#237;da de capitais&#8221;. Esta n&#227;o &#233; uma demanda dos trabalhadores, mas sim de setores da burguesia brasileira - como a Fiesp - que se op&#245;em &#227; pol&#237;tica das altas taxas de juros do Minist&#233;rio da Fazenda. Com isso, se colocam rebaixados n&#227;o s&#243; com rela&#231;&#227;o ao pro-grama dos marxistas que lutamos pelo monop&#243;lio do com&#233;rcio exterior e a na-cionaliza&#231;&#227;o dos bancos, mas inclusive de governos burgueses como os de Per&#243;n na Argentina ou C&#225;rdenas no M&#233;xico, que foram muito al&#233;m das &#8220;exig&#234;ncias&#8221; que hoje levantam estes &#8220;socialistas&#8221;, j&#225; que na pr&#225;tica terminam defendendo medidas que n&#227;o s&#227;o mais do que meras restri&#231;&#245;es financeiras ao conjunto da pol&#237;tica neoliberal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Prop&#245;e no ponto 20 do seu programa de a&#231;&#227;o a defesa de uma &#8220;verdadeira Constituinte, soberana, democr&#225;tica, capaz de organizar o pa&#237;s...&#8221;, quer dizer, reservam para os dias de festa a luta pela supera&#231;&#227;o do sistema capitalista, j&#225; que o m&#233;todo hist&#243;rico das verdadeiras conquistas da classe oper&#225;ria, a democracia sovi&#233;tica, &#233; substitu&#237;do pela &#8220;conquista&#8221; do sufr&#225;gio universal. Em outras palavras, colocam-se na perspectiva de reorganizar o pa&#237;s com a sua burguesia decadente, ao inv&#233;s de colocar a centralidade da classe trabalhadora e seus m&#233;todos, os &#250;nicos elementos que podem desenvolver as tend&#234;ncias que foram estagnadas pelo capitalismo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Prop&#245;e a &#8220;democratiza&#231;&#227;o das for&#231;as policiais (sic) e em particular do Ex&#233;rcito&#8221; (demanda que tamb&#233;m defende o PSTU), sem sequer mencionar o direito a autodefesa, para n&#227;o falar do abandono total da pol&#237;tica que &#233; a tradi&#231;&#227;o da classe oper&#225;ria em sua luta revolucion&#225;ria contra a burguesia, materializada nas mil&#237;cias oper&#225;rias. Isto em um pa&#237;s em que h&#225; algumas d&#233;cadas vive uma guerra civil no campo, com ocupa&#231;&#245;es de terra massivas e forte repress&#227;o dos latifundi&#225;rios e do Estado, que custaram mi-lhares de mortos ao Movimento Sem Terra (MST), e outros movimentos camponeses. O programa do PSOL, por esse extremo pacifismo e descolamento das demandas &#8220;m&#237;nimas&#8221;, n&#227;o se prop&#245;e a travar nenhuma luta contra o estado burgu&#234;s, cujo pilar fundamental s&#227;o a pol&#237;cia e as for&#231;as armadas, que atuam em defesa da propriedade privada e da reprodu&#231;&#227;o do capital.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No ponto referente aos direitos da mulher, n&#227;o aparece em nenhum lugar a de-manda democr&#225;tica elementar da luta pelo direito ao aborto. Isto n&#227;o &#233; casual nem um esquecimento: entre os fundadores do PSOL se encontram setores da igreja cat&#243;lica, como o deputado Jo&#227;o Fontes, que atualmente negocia sua ida para o PDT, partido burgu&#234;s pelo qual Helo&#237;sa Helena diz ter &#8220;muito carinho&#8221;. E uma de suas alian&#231;as eleitorais no recente pleito municipal foi com o PTC (Partido Trabalhista Crist&#227;o), antigo PRN que levou Collor &#227; presid&#234;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Coroam o programa com a incr&#237;vel consigna &#8220;Por uma Federa&#231;&#227;o de Rep&#250;blicas da Am&#233;rica Latina&#8221;, que significa a integra&#231;&#227;o federativa das atuais rep&#250;blicas burguesas, similar ao defendido por Lula em seu discurso no dia 21 de setembro na ONU14, ou como a extens&#227;o do Mercosul dos monop&#243;lios. Pouco antes de sua sa&#237;da do PT, Jo&#227;o Machado ao fazer um &#8220;balan&#231;o&#8221; de nove meses do governo afirmou que:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O aspecto mais positivo da orienta&#231;&#227;o do governo at&#233; aqui foi sua pol&#237;tica externa. Al&#233;m de se opor ao ataque dos Estados Unidos ao Iraque e de dar passos na dire&#231;&#227;o de estabelecer uma pol&#237;tica externa independente, houve um intento de construir uma unidade sul-americana, e tamb&#233;m uma frente dos chamados pa&#237;ses &#8220;em desenvolvimento&#8221;, oposto aos interesses dos centros imperialistas.15&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Defendem um populista como Ch&#225;vez na Venezuela:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O processo aberto na Venezuela que levou o presidente Hugo Ch&#225;vez ao poder simbolizou um processo de ruptura popular com o regime bipartid&#225;rio corrupto, neoliberal e fantoche dos Estados Unidos, que h&#225; d&#233;cadas dominava a Venezuela. [...] Por isso, Ch&#225;vez simboliza para o povo venezuelano uma nova alternativa que rompe com a heran&#231;a pol&#237;tica e econ&#244;mica da globaliza&#231;&#227;o neoliberal. Enquanto Lula acata os ditames do FMI, p&#245;e o Brasil &#227; frente das tropas de ocupa&#231;&#227;o do Haiti e agora ainda vai fazer um leil&#224;o de &#225;reas petro-l&#237;feras que render&#227;o pelo menos US$ 90 bilh&#245;es &#225;s grandes multinacionais do petr&#243;leo, Ch&#225;vez enfrenta o imperialismo e defende o petr&#243;leo venezuelano.16&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A quest&#227;o &#233; que a luta antiimperialista n&#227;o passa por embelezar Ch&#225;vez, que &#8220;defende&#8221; o petr&#243;leo do pa&#237;s vendendo para o mesmo imperialismo que &#8220;combate&#8221;. N&#227;o somente defendem o possibilismo chavista, como tamb&#233;m s&#227;o recorrentes as sugest&#245;es que os dirigentes do PSOL fazem acerca de um governo &#8220;popular&#8221; do tipo venezuelano no Brasil, isto &#233;, melhor um burgu&#234;s populista como Ch&#225;vez do que um burgu&#234;s neoliberal como Lula?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Eleitoralismo e concilia&#231;&#227;o de classes&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&#227;o bastassem as deforma&#231;&#245;es oportunistas de seu programa e de suas concep&#231;&#245;es estrat&#233;gicas, o PSOL demonstra seu lado &#8220;obscuro&#8221; em diversos fen&#244;menos da luta de classes. Como j&#225; dissemos, o lema &#8220;Uma esperan&#231;a outra vez, Helo&#237;sa 2006&#8221; j&#225; &#233; recorrente em suas interven&#231;&#245;es p&#250;blicas, bem como a nefasta tradi&#231;&#227;o petista levada a cabo pelos parlamentares do PSOL e refer&#234;ncias p&#250;blicas de aproveitar as oportunidades da democracia burguesa para &#8220;lutar e votar&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas recentes elei&#231;&#245;es municipais, o PSOL tamb&#233;m demonstrou que carece de uma linha que delimite claramente os campos entre uma pol&#237;tica independente da classe trabalhadora e a ala esquerda do regime, j&#225; que dizem que &#8220;reconhecemos que existem casos de candidaturas com trajet&#243;ria de esquerda, que ainda est&#227;o vinculadas a partidos da base governamental (sic), surgem com cr&#237;ticas &#227; pol&#237;tica econ&#244;mica do governo Lula&#8221;. Mas, aclaram, ainda que &#8220;respeitamos tais candidaturas e o apoio que setores do PSOL possam dar-lhes eventualmente (sic), no entanto enquanto partido, n&#227;o apoiaremos candidaturas&#8221;17. Assim, prestam apoio at&#233; a candidatos da burguesia. Para mencionar alguns casos relevantes: na cidade de Macei&#243;, capital do estado de Alagoas, terra natal de Helo&#237;sa Helena apoiou o candidato do PPS, o par-tido burgu&#234;s de Ciro Gomes atual Ministro de Integra&#231;&#227;o Nacional do governo Lula. Em Goi&#226;nia, onde o PSOL possui uma relativa presen&#231;a, sua principal figura est&#225; filiada ao Partido Verde, do atual Ministro da Cultura Gilberto Gil, e mant&#233;m uma alian-&#231;a com o partido crist&#227;o PTC. Ademais, chamam voto em um grande n&#250;mero de pre-feitos e vereadores do partido que n&#227;o servem &#227; classe oper&#225;ria, incluindo tamb&#233;m candidatos de outro partido integrante do governo, o PC do B. Como se v&#234;, s&#227;o extre-mamente generosos com a direita e enormemente &#8220;avarentos&#8221; com a esquerda, j&#225; que sequer chamaram voto cr&#237;tico em partidos independentes da burguesia como o PSTU. Essa &#233; a mesma perspectiva que permite que Helo&#237;sa Helena se coloque escan-dalosamente ao lado do PFL e do PSDB, defendendo um sal&#225;rio m&#237;nimo de R$ 275,00 no Congresso este ano. Quer dizer, pretendem refundar um &#8220;novo Brasil&#8221; com a sua burguesia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um falso balan&#231;o do PT&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O PSOL parte exatamente do &#8220;balan&#231;o&#8221; de que o PT foi uma grande conquista da classe trabalhadora e que agora traiu o seu projeto hist&#243;rico quando Lula, um ex-oper&#225;rio na presid&#234;ncia (um fato de duvidoso &#8220;m&#233;rito hist&#243;rico&#8221;), se tornou neoliberal. Luciana Genro afirma que &#8220;a vit&#243;ria eleitoral de Lula foi parte de um ac&#250;mulo de lutas e movimentos sociais ao longo de vinte anos no Brasil&#8221;18. O PT que os militantes do PSOL constru&#237;ram seria o PSOL que querem construir, com um programa que se colo-ca como nada mais que a &#8220;ala esquerda&#8221; do programa nacional-desenvolvimentista de setores da burguesia brasileira, que hoje se auto-intitulam &#8220;cr&#237;ticos&#8221; do neo-liberalismo. E essa &#233; a base material dos freq&#252;entes &#8220;namoros&#8221; de Helo&#237;sa Helena e seus parlamentares com o PPS e o PDT.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Expulsos do PT agora reivindicavam a recupera&#231;&#227;o das &#8220;bandeiras hist&#243;ricas&#8221; do Partido dos Trabalhadores antes de seu giro direitista, identificado pelos dirigentes do PSOL somente ap&#243;s as elei&#231;&#245;es de 2002.19 A luta contra as medidas neoliberais do governo Lula na &#233;poca da expuls&#227;o &#233; identificada pelos parlamentares como uma luta pela coer&#234;ncia com o pretenso programa hist&#243;rico do PT.20 Tanto que em seu encontro de funda&#231;&#227;o em julho desse ano, aprovaram um programa provis&#243;rio que objetiva &#8220;recuperar as bandeiras hist&#243;ricas do socialismo&#8221;, como tentativa de ser a plataforma para reagrupar a esquerda no pa&#237;s, e construir uma &#8220;alternativa dos trabalhadores&#8221;. O reformismo do PSOL &#233; nucleado justamente por essa concep&#231;&#227;o que parte de igualar a luta socialista com o papel nefasto do petismo em nosso pa&#237;s, ou seja, colo-cam que a sua trajet&#243;ria, o peso &#8220;fundamental&#8221; da esquerda petista, e a sua tradi&#231;&#227;o &#8220;plural&#8221; s&#227;o grandes conquistas dos trabalhadores, al&#233;m de obviamente remarcar que o PT foi o grande centro irradiador das teses do &#8220;socialismo democr&#225;tico&#8221;, sen-do tarefa do PSOL recuperar essas bandeiras hist&#243;ricas.21 Desde os anos 80, a Democracia Socialista e o SU definiram o PT como um projeto estrat&#233;gico, ou seja, decidiram que n&#227;o era uma t&#225;tica j&#225; que a funda&#231;&#227;o de um partido oper&#225;rio de massas, mesmo que reformista, tinha uma import&#226;ncia hist&#243;rica, adaptando-se a toda a trajet&#243;ria de trai&#231;&#245;es deste partido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;* * *&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&#201; evidente que na Am&#233;rica Latina est&#227;o se produzindo enormes experi&#234;ncias pol&#237;ticas na classe trabalhadora, das quais pode emergir novos fen&#244;menos que permitam recompor a subjetividade revolucion&#225;ria ap&#243;s mais de duas d&#233;cadas de derrotas e retrocessos. O enfrentamento com o governo do PT no Brasil ser&#225; indu-bitavelmente uma das mais importantes, enquanto tamb&#233;m come&#231;a a levantar-se a enorme classe oper&#225;ria mexicana, al&#233;m da continuidade do processo de matura&#231;&#227;o pol&#237;tica no rico fen&#244;meno boliviano. &#201; necess&#225;rio que os que reivindicamos a luta pela revolu&#231;&#227;o oper&#225;ria e socialista atualizemos nosso programa, aperfei&#231;oemos nossa estrategia &#224; luz das novas experi&#234;ncias, debatamos com todas as atuais teorias pol&#237;-ticas, sem perder de vista que est&#227;o se abrindo as condi&#231;&#245;es para a recomposi&#231;&#227;o da subjetividade revolucion&#225;ria da classe oper&#225;ria, para lutar de bra&#231;os abertos pela verdadeira independ&#234;ncia pol&#237;tica dos trabalhadores, para temperar os dirigentes e quadros de um poderoso partido revolucion&#225;rio inserido na classe trabalhadora, que seja parte da reconstru&#231;&#227;o da IV Internacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como parte desta batalha, a partir da Liga Estrat&#233;gia Revolucion&#225;ria - Quarta Internacional, insistimos em nosso chamado no Brasil ao PSOL, ao PSTU, ao PCO e ao conjunto dos sindicatos que hoje come&#231;am a romper com a burocracia cutista a lutarmos juntos para que a CUT e seus sindicatos rompam com Lula e o PT, adotem um programa oper&#225;rio independente de enfrentamento contra o governo e impulsione a constru&#231;&#227;o de um partido oper&#225;rio independente controlado pelos sindicatos. Os chamados para &#8220;resgatar a independ&#234;ncia pol&#237;tica dos trabalhadores e exclu&#237;dos&#8221; e &#8220;impulsionar organismos de auto-organiza&#231;&#227;o dos trabalhadores, verdadeiros orga-nismos de contrapoder&#8221; do PSOL n&#227;o s&#227;o mais do que frases ocas. A &#250;nica forma concreta colocada &#233; o &#8220;recha&#231;o a governos comuns com a classe dominante&#8221;, que ligado a aus&#234;ncia de um programa de luta por um governo de trabalhadores e rodeada de apela&#231;&#245;es contra o capital financeiro e &#8220;o que est&#225; a&#237;&#8221;, deixa aberta a toda e qual-quer forma de colabora&#231;&#227;o de classes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em s&#237;ntese, um partido que pretende ser alternativa a Lula e seu governo, que est&#227;o traindo miseravelmente os trabalhadores do pa&#237;s, n&#227;o termina de romper com a tradi&#231;&#227;o do PT de opor-se a luta pela verdadeira independ&#234;ncia de classe, mas que, desde fora, continuam com a mesma pol&#237;tica de busca de acordos com setores da burguesia e ainda mais com seus antigos companheiros de PT que ainda est&#227;o agru-pados na nefasta &#8220;esquerda petista&#8221;, como a DS, a For&#231;a Socialista (agora, APS) e a Articula&#231;&#227;o de Esquerda, que ativamente participam do governo burgu&#234;s e n&#227;o hesitam em renunciar as bandeiras do socialismo para negociar seus cargos no governo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(*)Com a colabora&#231;&#227;o de Basilio Abramo e Freddy Lizarrague&lt;/p&gt;
&lt;hr class=&#034;spip&#034; /&gt;
&lt;p&gt;NOTAS&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;1 Luciana Genro do MES no Correio da Cidadania, junho/2004.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;2 Ver nessa edi&#231;&#227;o &#8220;Campanha contra o ministerialismo&#8221;, por Simone Ishibashi e Edison Salles.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;3 L&#234;nin, A revolu&#231;&#227;o prolet&#225;ria e o renegado Kautsky.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;4 &#8220;Para al&#233;m da democracia liberal e do totalitarismo&#8221;, por Claudia Cinatti e Emilio Albamonte, nesta edi&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;5 Ver Marx, Critique du programme de Gotha, Paris, Editions Sociales, 1950. p&#225;gs. 34/5.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;6 L&#234;nin, O Estado e a Revolu&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;7 Daniel Bensa&#239;d Le sourire du Spectre. Nouvel esprit du communisme, Editions Michalon, Fran&#231;a, 2000, p. 197.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;8 &#8220;Nossas bandeiras e compromissos&#8221;, boletim pela legaliza&#231;&#227;o do PSOL.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;9 Raul Pont, Sobre o modo petista de governar, Porto Alegre, Em Tempo, mar&#231;o de 1997.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;10 Trotsky, &#8220;El marxismo y nuestra &#233;poca&#8221;, Naturaleza y din&#225;mica del capitalismo y la econom&#237;a de transici&#243;n, Buenos Aires, CEIP Le&#243;n Trotsky, 1999, p. 183, &lt;a href=&#034;http://www.ceip.org.ar&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.ceip.org.ar&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;11 Cf. L&#234;nin, O Estado e a Revolu&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;12 Trotsky, La revoluci&#243;n de 1905. Barcelona, Ed. Planeta, 1975, p. 192.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;13 Trotsky, &#8220;Stalinismo e bolchevismo. Sobre as ra&#237;zes hist&#243;ricas e te&#243;ricas da IV Internacional&#8221;, 29 de agosto de 1937, Retirado do CD Escritos de Le&#243;n Trotsky, livro 1. Buenos Aires, CEIP Le&#243;n Trotsky, 2001, &lt;a href=&#034;http://www.ceip.org.ar&#034; class=&#034;spip_url spip_out auto&#034; rel=&#034;nofollow external&#034;&gt;www.ceip.org.ar&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;14 Em seu discurso diz Lula: &#8220;O Brasil est&#225; empenhado na constru&#231;&#227;o de uma Am&#233;rica do Sul politicamente est&#225;vel, pr&#243;spera e unida, a partir do fortalecimento do Mercosul e de uma rela&#231;&#227;o estrat&#233;gica com a Argentina. O surgimento de uma verdadeira Comunidade Sul-Americana de Na&#231;&#245;es j&#225; n&#227;o &#233; um sonho distante gra&#231;as &#227; a&#231;&#227;o decidida no que se refere &#227; integra&#231;&#227;o f&#237;sica, econ&#244;mica, comercial, social e cultural&#8221;. Quer dizer, qualquer semelhan&#231;a n&#227;o &#233; mera coincid&#234;ncia. Esse ponto program&#225;tico do PSOL de alian&#231;a com a &#8220;sombra do PT&#8221; e com os setores mais &#8220;progressivos&#8221; da burguesia brasileira al&#233;m de n&#227;o ser novidade &#233; a express&#227;o mais cabal da fragilidade de seu programa para o avan&#231;o da classe oper&#225;ria no Brasil. Podemos verificar esse elemento no &#8220;apoio irrestrito&#8221; a Ch&#225;vez na Venezuela, que inclusive deu exemplos program&#225;ticos ao PSOL, como a realiza&#231;&#227;o de plebiscitos e referendos. Quer dizer, o NO na Venezuela n&#227;o &#233; automaticamente antiimperialista, assim como Ch&#225;vez n&#227;o representa nada de progressivo para a luta da classe trabalhadora, muito pelo contr&#225;rio, &#233; um cl&#225;ssico representante populista que trai com todas as m&#227;os os seus trabalhadores enquanto negocia melhores condi&#231;&#245;es com o imperialismo norte-americano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;15 International Viewpoint, 354, novembro de 2003.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;16 &#8220;Dizer n&#227;o &#227; oposi&#231;&#227;o golpista e ao imperialismo&#8221;, 13 de agosto de 2004, Boletim eletr&#244;nico Luciana Genro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;17 &#8220;O PSOL e as elei&#231;&#245;es 2004&#8221;, S&#227;o Paulo, 5 de agosto de 2004, Executiva Nacional do PSOL&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;18 Em Felipe Demier (coord.), As transforma&#231;&#245;es do PT e os rumos da esquerda no Brasil., Rio de Janeiro, Bom Texto, 2003.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;19 Nas &#8220;Bases de an&#225;lise e caracteriza&#231;&#245;es&#8221; do programa, o PSOL afirma que &#8220;depois de quatro disputas, Lula entregou-se aos antigos advers&#225;rios, e voltou as costas &#225;s suas combativas bases sociais hist&#243;ricas. Transformou-se num agente na defesa dos interesses do grande capital finan-ceiro&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;20 No artigo &#8220;The two souls of Lula's government&#8221;, escrito para a revista do Secretariado Unificado (International Viewpoint 348, mar&#231;o de 2003) Jo&#227;o Machado defende o &#8220;governo em disputa&#8221;. Helo&#237;sa Helena j&#225; afirmava essa perspectiva de que o governo Lula &#8220;poderia mudar&#8221; pelo res-paldo que teria entre as massas (a quest&#227;o &#233; que Lula ascendeu &#227; presid&#234;ncia com um respaldo n&#227;o menor da burguesia e do imperialismo), em entrevista publicada na revista International Viewpoint 354, Novembro de 2003.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;21 Cf. Jo&#227;o Machado, &#8220;Brazil: nine months of Lula's government&#8221;, International Viewpoint 354, Novembro de 2003&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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